Coleção: Júlio Dinis

A 14 de novembro de 1839, nasce, na então Rua do Reguinho, n.º 24, Porto, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, filho de José Joaquim Gomes Coelho, médico cirurgião oriundo de uma família de Ovar, e de Ana Constança Potter Pereira Lopes, proveniente de uma família ligada ao comércio do vinho do Porto e com ascendência inglesa e irlandesa.

Joaquim Guilherme convive desde cedo com a morte e a perda que vão marcar a sua existência: órfão de mãe desde muito cedo, vê morrer os seus oito irmãos, «restando-lhe uma vida errante à procura da atmosfera despoluída que o pudesse ajudar a combater a doença» que havia tirado a vida a tantos dos seus e que acabaria por levá-lo, também, ainda antes do seu 33.º aniversário, a 12 de setembro de 1871, data que agora assinalamos.

De facto, a tuberculose manifesta-se pela primeira vez em 1856, quando tem apenas dezassete anos, e nunca mais o abandona, compelindo- o a uma existência discreta, dividida entre a carreira, frequentemente interrompida pela doença, a busca de lugares que lhe permitam melhorar a sua frágil condição de saúde e a escrita.

É, igualmente, em 1856 que entra para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto e que escreve a sua primeira peça de teatro para o grupo teatral portuense O Cenáculo. Quatro anos mais tarde, publica, já sob o pseudónimo de Júlio Dinis, poemas na revista ultrarromântica A Grinalda e inicia-se na ficção, com a publicação, no Jornal do Porto, de novelas e contos. Entretanto, havia começado a escrever Uma Família de Ingleses, que só veria a luz do dia, em folhetim, no Jornal do Porto, em 1867, e em volume, um ano depois, já com o título de Uma Família Inglesa e o subtítulo Cenas da Vida do Porto, onde o leitor encontra os ambientes do Porto burguês do século XIX e da burguesia mercantil inglesa, que conhece tão bem. No mesmo ano, é publicado o romance A Morgadinha dos Canaviais.

Concluído o curso de Medicina, em 1861, vê a sua carreira como médico impossibilitada pela doença de que padecia e que começa a agravarse. A conselho do pai e do tio Bernardo de Oliveira Ramos, refugia-se em Ovar, em maio de 1863, em busca de ares mais saudáveis que favorecessem a sua recuperação. Este foi só o início de uma peregrinação que o levou, durante vários anos, a Lisboa, à ilha da Madeira, a FânzeresGondomar, a Grijó, a Vila Nova de Famalicão, a Felgueiras e a Aveiro. Acaba os seus dias na casa do primo José Joaquim Pinto Coelho, na Rua Costa Cabral, no seu Porto natal, onde falecerá a 12 de setembro de 1871.

Júlio Dinis