Coleção: Victor Hugo

 

Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon, em 1802, no seio de uma família marcada pelas campanhas militares do seu pai, um general do exército de Napoleão Bonaparte.

Revelando uma genialidade precoce, o jovem Victor escreveu na adolescência que desejava ser um grande escritor ou nada, ambição que começou a concretizar ao liderar a revolução do Romantismo francês na década de 1820.

Ao publicar a peça de teatro Cromwell, cujo prefácio desafiava as regras rígidas do Classicismo, Hugo estabeleceu-se como a voz da liberdade artística na Europa.

A sua consagração definitiva chegou em 1831 com o romance O Corcunda de Notre-Dame, uma obra gótica de sucesso estrondoso que, além de emocionar os leitores com a história de Quasimodo e Esmeralda, salvou a própria Catedral de Paris da demolição e do abandono.

A vida de Victor Hugo mudou drasticamente em 1843 com a morte trágica da sua filha mais velha, Léopoldine, que se afogou no rio Sena aos 19 anos. Destroçado pela dor, o autor afastou-se da ficção durante anos e canalizou o sofrimento para a poesia e para a intervenção política.

Eleito deputado, transformou-se num defensor acérrimo dos direitos humanos, combatendo a pobreza, exigindo o sufrágio universal, a educação gratuita e a abolição perpétua da pena de morte. No entanto, o seu posicionamento republicano colocou-o em rota de colisão direta com o poder político em 1851, quando o presidente Luís Napoleão Bonaparte desfechou um golpe de Estado para se tornar imperador. Recusando submeter-se à nova ditadura, Hugo foi forçado a fugir de França, iniciando um exílio que duraria quase duas décadas nas ilhas britânicas de Jersey e Guernsey.

Foi precisamente no isolamento do exílio que o escritor atingiu o auge da sua maturidade criativa, publicando em 1862 a sua obra-prima universal, Os Miseráveis. O romance, que denunciava as profundas injustiças sociais da sociedade francesa através da saga de Jean Valjean, tornou-se um fenómeno literário mundial imediato.

Com a queda do império em 1870, Victor Hugo regressou triunfalmente a Paris, sendo acolhido como um herói nacional e um símbolo vivo da República. Ele continuou a escrever e a defender causas progressistas até à sua morte, em 1885, aos 83 anos.

Embora tenha pedido para ser transportado no caixão dos pobres, a nação prestou-lhe uma das maiores homenagens da história europeia, unindo mais de dois milhões de pessoas num cortejo fúnebre que acompanhou o seu corpo do Arco do Triunfo até ao Panteão de Paris, onde repousa como um dos maiores intelectuais da humanidade.

Victor Hugo